Depois de uma boa corrida pela praia, mantenho-me com o fone do ipod e as canções que vc fez pra mim... Olho para o mar, fecho os olhos e me deito de bruços sob o sol. Cuido das marquinhas do biquini para vc. Sinto um calor especial mesmo sob a sombra recém chegada. Saboreio o geladinho do protetor-gel e suas mãos cuidadosamente passando nos meus ombros, costas, desce progressivamente. Percebo as carícias disfarçadas cada vez mais evidentes. Avança os limites do biquini. Suas mãos se enchem e eu me encharco. Suspiro fundo e agora só escuto o barulho do mar... Seu peso sobre o meu corpo e um volume pressionando meu esfíncter. Molha meu pescoço e minha nuca com seus lábios e me sinto lisa e lubrificada com seu suor. Desata o laço do meu biquini e alcança minha caverna com seus dedos, lambuzada de prazer. Desidratada, líquida, me viro e se livra dos tecidos que restringem seus movimentos. Neste momento sinto-me plena com vc dentro de mim. Não conseguimos conter nossa euforia e damos início àquela dança sincronizada onde não identificamos mais os limites do nosso corpo. Somos um só novamente. Recordamos todo aquele momento de plenitude em que éramos poderosos e nada nos faltava a ponto de desafiarmos os deuses. Assim fomos castigados e separados ao meio por contingências fortíssimas.
Sem palavras.
Sem nexo.
Sem sexo.
E a cada tentativa de superação, a lembrança da plenitude vem como uma avalanche, sufocando qualquer grito guardado no peito por tanto tempo, anos-luz. Limito-me a sentir somente a presença de uma lágrima no canto dos olhos.
Para prosseguir, agarro-me na certeza de que a dor faz parte do processo de cura..