Passeio pelas ruas e uma vitrine chama minha atenção: tecidos delicados, cuidadosamente arrematados com fitas ... rendas... que desvelam em sua ausência, a presença do contorno do corpo. Embriagada com as imagens, entro na loja e detecto o que salta aos olhos. Entro no provador e me livro das roupas. Visto o espartilho e começo a me divertir com os ganchinhos... um a um, modelo cada vez mais minha cintura, enquanto meus seios empinam e quase pulam para fora da lingerie. A calcinha, minúscula, umedece. Alcanço as meias 7/8, delicadas, com um cuidado para não desfiá-las. Forro a ponta dos pés.. deslizo pelo tornozelo... a panturrilha... e aperta minhas coxas. Atrapalho-me com o arremate das ligas e sinto-me escorrer...
Miro-me no espelho
O olhar percorre todo o corpo refletido. Salto agulha, a trama do nylon que sobe pelas pernas, continua com as fitinhas que se prendem no espartilho... as rendas agora úmidas... a cintura delineada e a curva dos seios empinados. O aperto me conforta pq anuncia a tua presença, como se tivesse me envolvido com tua rede fina e transparente, e a mantivesse sempre sob tensão. Enfeitiçada como estou, enxergo teus fios no meu reflexo... persigo-os... e encontro teu olhar de fogo. Vejo me puxar com força, e sinto o aperto do espartilho na minha cintura. Assim, sinto teu corpo encostar nas minhas costas... o calor do seu volume se esfregando na calcinha minúscula, enquanto aperta meus seios e alcança os mamilos. Solto meu corpo nos teus braços que me seguram enquanto me coloca de quatro. No espelho vejo-te nu e encharco a calcinha. Teu semblante de desejo procura a miragem do meu corpo enquanto pulsa... latejante... enorme.
Faço das minhas mãos o teu corpo.
Afasta a calcinha que agora te atrapalha e me penetra bem fundo. Grito, suave, de tesão. Vejo nossos movimentos... prossigo nos meus. Os gemidos, sussurros, ecofônicos, pairam e se espalham pela ionosfera. No canto desta dança, as contrações misturam a duplicidade de imagens, sensações, sentimentos, liberdade e aprisionamento que emergem com a tua ausência/presença insistente.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
domingo, 26 de setembro de 2010
Matéria sem forma
A luz é ensurdecedora e o som cega. Um espaço eletrônico atópico e atemporal, com zilhões de corpos conectados, matéria sem face nem forma. O rítmo dos corpos, em uníssono, é imposto pela batida. As diferenças não exalam. O calor do corpo similar ao nosso. Mal sabemos a quem pertence. E nem interessa.
Por trás, agarram minha cintura. Ainda percebo a leveza e a delicadeza das mãos, e me deixo levar pela batida repetida. Encosto no corpo e este me toca. Não cabe saber quem é. E nem interessa. Prensa meu quadril contra o dele e me esfrego. Subitamente me vira e alcança meus lábios. O beijo, corpo, avesso do virtual. As mãos exploram a cintura, alcançam a pele que arrepia, apalpa os seios e os mamilos, que empinam. Cruzo minhas pernas ao redor daquele corpo, que me sustenta e me prensa. Por debaixo da saia, desloca minha calcinha e me preenche, a falange atinge minha garganta! A batida eletrônica comanda meus movimentos e a freqüência respiratória e cardíaca. Beijo furioso, lascivo, para que arranque toda a moral imposta, aquela que nos faz obedecer em troca de uma pseudosegurança social. Quero mais! Alcanço mais. As contrações se iniciam, esmagando as falanges com força, para desconstruir o que foi imposto como certo ou errado.
Um sorriso educado, gracioso, quase cúmplice, anônimo.
Viro-me e retomo o movimento do corpo na batida eletrônica.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Vazio
Alguma coisa não vai bem. Uma tristeza escondida que insiste em me perturbar. Caminho sem rumo, sem apoio, já não sei mais o que é certo ou errado, o que pode ou não se pode fazer. Não há luz ou sombra e nem consigo mais levar minha luz a.. nada. Olho para o céu e ele me traz a chuva. Um frio...
Teu cheiro me resgata. Fecho meus olhos e posso te sentir. Um abraço largo, quente. Aperta o meu corpo contra o teu e morde meu pescoço. Segura na minha crista ilíaca, me prende, como se nunca mais me deixasse escapar. Pede meus lábios e te ofereço. Beija-me com paixão, cheio de saudades, aquela que fica escondida, abafada para não dar escândalo. O movimento da tua língua, suave, molhado e aconchegante me arrepia, eriça meus mamilos, desce pela coluna lombar e irradia para o baixo ventre. Encharcada, enlaço minha perna na sua cintura e me esfrego em vc. Quero mais! A taquicardia e a respiração forte comandam o rítmo dos nossos movimentos, cada vez mais vigorosos, sôfregos... Levanta minha blusa e beija meu corpo. A maciez dos seus lábios nos meus mamilos leva ao escape da minha alma. Resgato-a, e ela me faz arranhar suas costas com fúria, pelo longo tempo que se manteve abafada. Livra-se dos tecidos e penetra em mim com força. Fundo, bem fundo. Prensa-me contra a parede e puxa minhas pernas que montam em vc. O desejo comanda o rítmo cada vez mais forte. Seguro-me em vc como se fosse o único pilar restante a me apoiar. Não quero mais me perder. Preenchendo-me, completando-me, transborda toda a sua essência por todos os meus receptores aferentes que se beneficiam dos meus espasmos para absorver ainda mais.
Beijo-te com paixão e ternura, grata por me resgatar do frio
sem rumo,
opaco
mudo
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Reencontro
Ainda estou no computador. Apresso-me em desligá-lo. Como é bom saber que quem esquenta minha cama é você... Aproximo-me devagarinho - será que está dormindo? - e me enfio sob o futon (edredom). Te abraço apertado e sua boca procura a minha. Acaricio seu peito, desço para o abdomen e alcanço sua vara sempre alerta. Carícias leves com as unhas sobre o tecido que o envolve, até que a cabeça lisa e vermelha aflora. Meus lábios não resistem, a aproximação é eletromagnética e incontrolável. Liberto e abocanho seu pau. Minhas mãos massageiam o corpo, aproveito a umidade local e deslizo minhas mãos por ele... Minha língua e orofaringe se preocupam com a cabeça, mas despertam para o saco, enrijecido, a pele rugosa e deliciosa. Lambidas de sorvete até chegar na base, devidamente massageada com a pontinha da minha língua. Sinto seu volume cada vez maior e a tensão-tesão pedindo para explodir. Não paro. Não consigo parar. E sinto suas contrações e gemidos como a harmonia para o rítmo melódico do fluxo da sua seiva. Não me satisfaço. Não se satisfaz. Ainda enrijecido, penetra na minha caverna macia, quente e úmida. Eu te aperto, como se te sugasse com meu útero e anexos. Sinto novamente se alargar dentro de mim. Continua com o vai e vem, cada vez mais vigoroso e desta vez você sente minhas contrações: fortes... pausa e pequenos movimentos... fúria e novas contrações... e assim vai naquele rítmo inacreditável. Não se satisfaz. Não me satisfaço. Muito gel, aumentamos a lubrificação e sinto a cabeça, pétrea e arredondada, deslizando no meu esfíncter apertado. Quer judiar de mim e faz movimentos curtinhos. Não aguento de tesão e movimento meus quadris com mais vigor até sentir seu saco e seu púbis bater em mim. Sinto novamente vc se alargar dentro de mim, gatilho para minhas contrações potenciadas pelas suas. Suados, melados, abraçados, desfrutamos de todos os segundos para compensar toda a ausência...
Como pode a espera não valer a pena? Estou louca de tesão. Sou louca de tesão por você.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Zuuummm
Desperto de repente, procuro o despertador e lembro que hoje é "Day-off". Olho para o lado e vc está dormindo. Deito minha cabeça no seu peito e sinto vc me enlaçar. Percebo seu rítmo cardíaco se aproximando do meu... Acaricio seu peito, o rítmo acelera assim como a frequencia respiratória. Imediatamente sinto aquele calor úmido, tão conhecido nosso, e levo minha mão no lugar certo - em franca movimentação! Entro por debaixo dos lençois, no meio das suas pernas, meus lábios úmidos brincam com aquela pele deliciosa: puxa para cá, empurra para lá... e minha língua alcança uma superfície lisinha, gostosa de acariciar em movimentos circulares... horizontais... verticais... Minhas mãos ficam com a base cilíndrica cada vez mais avantajada. Abandono por um segundo a parte superior porque outra região importante me chama: textura rugosa, faz cócegas na língua e provoca suspiros!
Neste momento sinto-o latejante. Não consigo mais suportar o ardor úmido e ávido por você. Nossos semelhantes querem fusão: minha boca procura a sua, a batedeira do meu peito na cadência do seu, meus dedos entrelaçados nos seus - entra em mim com sublime fúria e me sinto completa. Ficamos naquele jogo sem fim, onde vc tenta tirar e eu te sugo, e vc entra e eu tento te expulsar. E assim sinto-me rapidamente no "cosmos". E dele não consigo sair, até que o corpo dá o seu limite.
Olho para vc, sinto seu cheiro (essa química...) e quero mais. É a pura expressão do desejo e da entrega. A entrega que só se manifesta para quem se deseja furiosamente, incontrolavelmente, quem desperta os instintos mais selvagens e primitivos, de caça e caçador, da barbárie sem limites. E que aqui é permitido. E sublime. Sinto-nos latejando aos espasmos para doar e receber, em salvas - uma intimidade sem limites.
Mal sinto minhas pernas. Não sinto o meu corpo. Um zumbido no ouvido que me leva longe, longe... Vejo nossos corpos entrelaçados, de limites difusos. E a alma, cada vez mais leve, paira no cosmos...
Caixa de Pandora
"Fiquei muito contente que se lembrou de mim. Passa-se o tempo e continuamos achando que somos menos importante para os outros do que realmente somos.
Acabei de me mudar e encontrei várias agendas e diários que escrevemos qdo ainda temos tempo para refletir, alívio da necessidade para acalmar a ansiedade por estar sempre em busca de alguma coisa. Quando encontramos uma pessoa para dividir a vida, parte da ansiedade se vai. Quando começamos a encontrar uma certa satisfação e reconhecimento profissional, outra fatia da ansiedade se vai. Quando temos nossos filhos, mais uma fatia se vai. Não nos damos por satisfeitos. Aí começamos a sentir saudades de sentir uma ansiedade e esse frio no estômago. Novos desafios? Sabe que não? Gosto do que me tornei. Quero mais é aproveitar mais. Viajar, passear com minha família, ir ao MacDonald's com as crianças, às livrarias, ao cinema, trazê-las para casa e encontrar todos na hora do jantar...
Paralelamente dá uma certa curiosidade para rever quem foi importante ou, quem gerou certa ansiedade nessa fase turbulenta de descobertas. Acho que rola uma vaidade, um egocentrismo para nos mostrar como nos tornamos. Vontade de conversar, de mostrar como ainda estamos bem."
E foi assim que tudo começou. Eu sempre fui obediente às regras que já nem sabia mais que eram regras. Não havia conflito. Plantava, colhia, plantava, colhia, bem protegida das tempestades e furacões por ter uma boa família de valores corretos, infância feliz, adolescência tranquila, bom desempenho escolar e produtivo. Casei-me com meu primeiro namorado. Uma festa linda sem bolo, com um vestido de noiva que não poderia se parecer noiva, música do filme da Disney, meu pai não entrou comigo "ué, com quem vc vai casar? Então é com ele q vc tem que entrar".
Seguíamos as receitas.
Mas, por vezes, escorregávamos entre os ingredientes...
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