sábado, 11 de dezembro de 2010

grito



Estou na tua cama, atenta ao barulhinho da porta... Basta a expectativa para me aquecer e encharcar a calcinha. Assim que escuto, a taquicardia ressoa com seus passos apressados. Aterrisa sob os lençóis e encontra minha pele quente e macia, te aguardando...

Quero te aquecer!

Envolvo e te aperto para marcar meu corpo com o teu. Nestas marcas, cada pedaço chama o teu.
Queima até.

Sem nos desgrudarmos, se encaixa em mim e me penetra,
d e s l i z a . . .
Assim ficamos, contemplando as sensações. Segundos eternos.

O corpo sussurra, não damos ouvidos, até que grita!
Aquele vaievem cadenciado, a respiração ofegante, no abraço das minhas pernas. Goza dentro de mim, enquanto minhas contrações te sugam...

Grudamos!

O beijo sussurra, o corpo descansa... O desejo grita!
Começa a se mexer, devagarinho, e logo estamos prontos! Me vira de 4 e volta a me penetrar com força. Fundo! Te aperto, forte.

Quero mais! Mais!
Muito mais...

... não termina. Se não é o corpo, é o beijo. Se não é o beijo, são as palavras. Se não são as palavras, é o silêncio que grita.

Arde.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Abismo


Foi uma espera imensurável. Meses. Anos. Quiçá vidas. Talvez como o cometa Halley. Mas eu sempre soube que já era tua.

Abriu a porta da tua casa com aquele sorriso largo - sabia que sorri com os olhos? Um abraço forte como se não quisesse mais nos perder.

Eu não sei o que aconteceu, onde eu estava - acho que passeando pelas curvas da tua alma. Acordei com o barulho dos livros caindo no chão, livrando o espaço sobre a mesa do teu quarto. Tirou seus óculos e me levantou delicadamente sobre ela. Nos seus olhos pude ver aquele abismo, aquela sensação de gravidade zero em que sobrevôo toda a ternura, a doçura, a violência desse tesão que nos consome qdo estamos distantes. Sinto teu gosto na língua macia que aconchega a minha. Pega na minha mão e a conduz à expressão no teu corpo - latejando!

Ahhhh, isso me leva aos céus!

Tira minha calcinha e contempla cada milímetro desvelado. Posso respirar o desejo que exala por todos os teus poros, o que libera aquela adrenalina que me faz tremer...
Abre minhas coxas e se aproxima do calor úmido que te puxa. Devagarinho. Entra em mim e alcança tudo o que guardei pra vc: minhas incertezas, as sombras, a doçura, a loucura, o brilho que chega a ofuscar quando te encontra, a sensação de estar enfim em casa.

Quero bem fundo. Que alcance minha essência. Envolvo minhas pernas na tua cintura e te aperto para lá chegar. Repito. Falta. Quero mais. Aperto. Cada vez mais. Morde meu pescoço e acelera minha frequência respiratória.
Quero tanto que o ar falta.

Mais!

Aquele crescente, aquela escadaria, até que, juntos, seus olhos nos meus, de novo mergulhamos naquele abismo de gravidade zero, flutuando de mãos dadas por toda a ternura, a doçura, a brisa e a violência dessa saudade que arrebata.