sábado, 11 de dezembro de 2010

grito



Estou na tua cama, atenta ao barulhinho da porta... Basta a expectativa para me aquecer e encharcar a calcinha. Assim que escuto, a taquicardia ressoa com seus passos apressados. Aterrisa sob os lençóis e encontra minha pele quente e macia, te aguardando...

Quero te aquecer!

Envolvo e te aperto para marcar meu corpo com o teu. Nestas marcas, cada pedaço chama o teu.
Queima até.

Sem nos desgrudarmos, se encaixa em mim e me penetra,
d e s l i z a . . .
Assim ficamos, contemplando as sensações. Segundos eternos.

O corpo sussurra, não damos ouvidos, até que grita!
Aquele vaievem cadenciado, a respiração ofegante, no abraço das minhas pernas. Goza dentro de mim, enquanto minhas contrações te sugam...

Grudamos!

O beijo sussurra, o corpo descansa... O desejo grita!
Começa a se mexer, devagarinho, e logo estamos prontos! Me vira de 4 e volta a me penetrar com força. Fundo! Te aperto, forte.

Quero mais! Mais!
Muito mais...

... não termina. Se não é o corpo, é o beijo. Se não é o beijo, são as palavras. Se não são as palavras, é o silêncio que grita.

Arde.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Abismo


Foi uma espera imensurável. Meses. Anos. Quiçá vidas. Talvez como o cometa Halley. Mas eu sempre soube que já era tua.

Abriu a porta da tua casa com aquele sorriso largo - sabia que sorri com os olhos? Um abraço forte como se não quisesse mais nos perder.

Eu não sei o que aconteceu, onde eu estava - acho que passeando pelas curvas da tua alma. Acordei com o barulho dos livros caindo no chão, livrando o espaço sobre a mesa do teu quarto. Tirou seus óculos e me levantou delicadamente sobre ela. Nos seus olhos pude ver aquele abismo, aquela sensação de gravidade zero em que sobrevôo toda a ternura, a doçura, a violência desse tesão que nos consome qdo estamos distantes. Sinto teu gosto na língua macia que aconchega a minha. Pega na minha mão e a conduz à expressão no teu corpo - latejando!

Ahhhh, isso me leva aos céus!

Tira minha calcinha e contempla cada milímetro desvelado. Posso respirar o desejo que exala por todos os teus poros, o que libera aquela adrenalina que me faz tremer...
Abre minhas coxas e se aproxima do calor úmido que te puxa. Devagarinho. Entra em mim e alcança tudo o que guardei pra vc: minhas incertezas, as sombras, a doçura, a loucura, o brilho que chega a ofuscar quando te encontra, a sensação de estar enfim em casa.

Quero bem fundo. Que alcance minha essência. Envolvo minhas pernas na tua cintura e te aperto para lá chegar. Repito. Falta. Quero mais. Aperto. Cada vez mais. Morde meu pescoço e acelera minha frequência respiratória.
Quero tanto que o ar falta.

Mais!

Aquele crescente, aquela escadaria, até que, juntos, seus olhos nos meus, de novo mergulhamos naquele abismo de gravidade zero, flutuando de mãos dadas por toda a ternura, a doçura, a brisa e a violência dessa saudade que arrebata.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Snail Track



Você não sabe do que sou capaz...

Vejo o breu da janela entreaberta e o luar tímido que se atreve a se projetar nos lençóis da minha cama. Liquefeita, vaporosa, escapo pela fresta da janela e me deixo guiar pela trilha do tesão. Te vejo na tua cama, deitado e nu sob o lençol. Sorrateira, esgueiro-me entretecidos e verifico teu volume em franca expansão. Os movimentos ondulatórios do tecido escrotal que convidam minha apreensão labial...
úmida...
macia...
quente...

Passo a língua no corpo do teu pau e o abocanho até a garganta. Percebo seu gemido e repito. Puxa meus cabelos em direção aos teus e pede meu beijo. Ardente, escorrego e pinto todo o teu corpo com minha umidade. Snail track. Encontro-te pulsátil e me encaixo. Deslizo.
úmida...
macia...
quente...

Sento com força em vc e me curvo aos teus beijos. Meus braços te enlaçam e minhas pernas prensam tua cintura. Os cabelos fecham o túnel do ar que respiramos. Dele nos nutrimos, nele nos trocamos. Sinto teu tesão e vc o meu. Sente o meu prazer e eu o teu. Queremos mais, muito mais, sempre mais de nós.
Não tem fim.

Cavalgamos a noite inteira, espaços outros. Eu em vc e vc em mim. Desta experiência interna nos nutrimos.

Até o sol raiar

E quem garante que ele virá?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

midnight lullaby


Nem mais sei onde estamos. Sentados, a música ao fundo, em algum ponto da noite.
Side by side, a alcoolemia avançando, as paredes se estendendo ao luar.

De viés, sinto teu olhar me queimando. Fecho os olhos e por ele me guio, na pista, nos corredores.

Surfo na tua onda.
Colo meu corpo no teu.
Em uníssono, te acompanho... me acompanha.
Ao pé do ouvido, cruzamos nossos pensamentos.
No caminho, nossos lábios.
Entremeio, o tesão.

Esfregamos para penetrar por todos os poros... as dobras... aumentar a área de contato.
Dançamos, as pernas entrelaçadas, braços que nos apertam e tocam todo o corpo... Mãos que se confundem e se identificam.

Agora, leve-me. Para bem longe desta contramão em que nos encontramos.

Prensa-me na parede, minha perna te enlaça e consigo te sentir crescendo no que em mim aquece e molha. Esfrego. Quero mais contato. Teu beijo arde, arrepia, envolve. A música nos leva. Abro sua braguilha e te escuto gemer ao meu ouvido. Beijo teu pescoço, acaricio teu pau, explodindo de tesão. Exponho a glande, escondo, repito. Cada vez mais vigorosa. Levanto a frente da minha saia discretamente, desloco a calcinha e o conduzo para dentro de mim...

De repente, o som abafa... As estrelas na janela ofuscam meu olhar. O mundo pára por um tempo indefinido...

Ofegantes, obedecemos o embalo sinuoso da música e, sem aviso prévio, me inunda... me rega... enquanto te sugo... sorvo até a última gota do orvalho.

Por algum motivo, não quero que saia de mim.

and dream
come on and dream

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Lola

Cansado, de nada, resolveu se sentar naquele banco da praça, frente ao banco das contas. Percebeu que nunca tinha visto o(s) banco(s) daquele ângulo. Para ele, o mundo era bidimensional, plano.

- Tio

Uma menina uniformizada, horário de saída de escola mesmo. Cabelos longos, a franja presa do lado direito, olhar com aquele brilho de ansiedade que há muito não encontrava. Poxa, o tempo passa rápido! Filha de algum amigo, cresceu tto que já nem reconheço? Mas já está uma mocinha.

- Oi querida. Quanto tempo! Como estão seus pais?

Melhor ser genérico. Não desconserta nem conserta torto.

- Quero te chupar.

Não estava entendendo... Praça deserta, cadê os pais dessa garota!

- Se não me levar para algum lugar sossegado, deito no teu colo e começo a te chupar em público! Se não deixar, eu grito!

- Menina, vc tá louca? Cadê seus pais?

Que dia esquisito. Que lugar esquisito. A paisagem estava toda fora de lugar. As pessoas fora do personagem.
Diante da morosidade de ações daquele senhor enfadonho, a garota se adianta a se deitar no colo dele. Surpreso, tenta planejar alguma reação, mas já não estava mais habituado a deliberar ações voluntárias.

Mas sentiu que o corpo reagiu! Poxa, estava vivo!

A garota percebeu o aumento do pseudo-travesseiro, colocou a mão entre o pau dele e a face esquerda, e começou a acariciá-lo. Ajeitou a posição anatômica, e percebeu a cabeça explodindo, escapando dos tecidos - pelo menos os tecidos tinham cheirinho de amaciante. Adorava passar os dedos pela glande lisinha. Queria ver a cor! Bege, rosinha, negra, tanto faz. Geralmente é brilhante, aquele mesmo brilho de excitação.

Ele resolveu abrir o jornal.

Ela abocanhou e segurou aquele pau com desenvoltura

- Ahhhh - e ele engoliu o gemido, que há muito não aparecia. A sensação de perigo, o medo de novo correndo pelas veias, fez com que o contraste e o brilho do mundo se tornassem mais aguçados. Que porra de oftalmologista era aquele que nunca encontrou o grau certo dos óculos? O mundo tinha outra cara!

Enquanto masturbava aquele pau delicioso, lambia-lhe as bolas, chupava cada uma e apreendia entre os lábios com delicadeza. Alternava para a glande, a língua naquela pele lisinha, e escorregava os lábios para a base, enquanto a sentia tocar a sua garganta. Adorava aquela sensação de quase sufocamento. O pau inteiro na sua boca e a língua nos bagosorvete. O volume cada vez maior. A excitação fazia com que aumentasse a frequência dos movimentos, até que sentiu aquele líquido grosso e doce de gosto verde escorrer pela garganta.

Adorava aquele sabor de vida!

Ela colocou a casa em ordem, fez que dormia no colo do tio.

Ele não sustentava nem o peso do jornal. Tudo flutuava...

Ela se levantou, deu um beijinho no rosto dele, pegou a mochila e deixou o quadro.

Ele...

Ele ainda procura aquele ângulo. Todos os dias, na mesma hora, senta naquele banco da praça de frente ao banco das contas.
Nunca se esquece do jornal - "Just in case..."

Espera a menina.

Daquele...
ângulo...

sábado, 30 de outubro de 2010

Amor bruxo


Estou tão leve... com um taça de cognac vazia à minha frente, bebida lasciva.

Sabe que estou me desconhecendo? Eu sempre tive mto controle sobre tudo. E, sem querer, me pego pensando em nós. Essa química me assusta. Nossas transas intermediadas por papos deliciosos... eu tenho vontade de passar horas assim. Vontade de ficar do teu lado sempre. Gozar com vc. Escuto teus gemidos, e encharco... Qdo vc entra dentro de mim, o mundo pode acabar, a Dilma pode ganhar as eleições, as injustiças podem acontecer... nem ligo. O mundo se apaga. Quero só sentir teu tesão, vc ficar enorme dentro de mim, e ficar ofegante com vc. No mesmo rítmo. Quero que me beije enquanto vai e vem. E sentir toda a paixão que se camufla nas palavras e na timidez...

Extravase toda a sacanagem que tem dentro de vc - e sei que tem! Que verbalize que quer me comer de 4, enfiar o dedo no meu cuzinho - e como gosto qdo faz isso... , me enrabar... Desculpa o chulo, mas tenho a desculpa da bebida lasciva. Eu não separo sexo de amor. Muito pelo contrário. Aprendi, a duras penas, que o amor lascivo é saudável. O amor por gratidão, respeitoso, é quase fraternal - é o que detona o relacionamento. O amor lascivo é o que não camufla o desejo, o tesão. E, se sente tesão por mim, e quer me comer, chupar, beijar, enrabar, sinto tua paixão e me apaixono ainda mais por ti.

Agora estou encharcada...

E imagino que estamos nus, suados, ofegantes, e me coloca de 4. Um prazer por te oferecer a lascívia... acho que é a maior prova de amor que uma mulher pode oferecer. As mãos nos meus seios que balançam no rítmo do nosso prazer... e teus dedos que exploram meus pontos mais sensíveis. Quando te sinto enorme dentro de mim, alargando-me com teu tesão, não consigo segurar e gozo contigo...

Sentindo o coração saindo pela boca, rapto seu beijo, e pesca minha paixão...
... desencontrada, desconstruída, de essência forte e perigosamente volátil em potência.
Esta paixão lasciva não busca garantias...
Só se mantém pelo teu tesão. Assim te amo.

E saiba que acredito que este é o amor maior do mundo.



quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Psicodélica


Agora estou vendo, ao longe o trem se aproximando cada vez mais veloz. É por um triz que entro no vagão, e nem sei para onde vai. Só uma intuição - de que lá te encontraria.

Logo que piso no vagão, tudo pára - o tempo, meus movimentos, vejo as cores de Chagall cada vez mais vibrantes e amantes, dançando diante dos meus olhos - de onde vêm essas cores afinal?

Nesta dança, pouco a pouco, em minha discreta miopia, consigo delimitar seu contorno - cabelos, silhueta, o gesto no caminhar, ao me carinhar... Suspiro e sinto seu cheiro bem pertinho de mim. Passa sua mão no meu rosto, e te recebo com um sorriso. Puxa-me para seus lábios com uma delicadeza que derrete... A saudade do teu beijo por toda minha vida - onde foi mesmo que te deixei? O gosto da espera de uma vida toda...

Queremos cada vez mais contato, despimo-nos das cores externas para exalar nossas próprias. A cada toque, o vermelho vibra, esquenta, lateja... Dá choque, prata! Sinto a umidade dos teus lábios percorrendo meu pescoço... linha azul, tracejada e sinuosa. Nos meus seios, procura meu mamilo enrijecido que anseia pelo magenta da tua língua... suga o tesão que transborda, e quer cada vez mais. Ocupa toda a área da tua boca, morde de leve e me arrepia. Fica tudo purpur(in)a. Esperto, confere minha umidade quente com teus dedos - 1.. 2... nem sei mais qto, devasta-me. A cada movimento, enfia mais fundo. Em determinado movimento, sente minhas contrações que querem sugar teu corpo inteiro...

Neste momento, está enorme. Vermelho. Brilhante. Abocanho-te, irresistível. Chupo até a garganta. Acaricio tudo o que te faz gemer. No rítmo do teu prazer. Lambuzo tua alma com meu desejo, da base ao ápice...
Embriagada de vc, miro o céu vermelho, a terra azul, as montanhas negras, apoiada na janela do trem. Vc vem por trás e me penetra. Te sinto no meu útero. Muito fundo. Vem forte. Mais forte. Transbordo como calda quente em vc...

Quero mais! Meus dedos exploram tudo o que me dá prazer - belisco meus mamilos, acaricio o clitoris, a umidade pede a exploração de todos os orifícios. Aquela carícia rosa ani(a)l extremamente excitante. Percebe e enfia seu dedo, enquanto aumenta a força nas estocadas, tamanho o teu tesão.

Peço mais! Espalha meu mel e penetra, devagar, nas minhas entranhas... Minhas pernas começam a tremer. A dor carregada de prazer. Explodimos de tesão. Todas as cores deste mundo!!!

No trem que atravessa este mundo, totipotente, multicolor, tecnicolor...


nosso.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Cura

Depois de uma boa corrida pela praia, mantenho-me com o fone do ipod e as canções que vc fez pra mim... Olho para o mar, fecho os olhos e me deito de bruços sob o sol. Cuido das marquinhas do biquini para vc. Sinto um calor especial mesmo sob a sombra recém chegada. Saboreio o geladinho do protetor-gel e suas mãos cuidadosamente passando nos meus ombros, costas, desce progressivamente. Percebo as carícias disfarçadas cada vez mais evidentes. Avança os limites do biquini. Suas mãos se enchem e eu me encharco. Suspiro fundo e agora só escuto o barulho do mar... Seu peso sobre o meu corpo e um volume pressionando meu esfíncter. Molha meu pescoço e minha nuca com seus lábios e me sinto lisa e lubrificada com seu suor. Desata o laço do meu biquini e alcança minha caverna com seus dedos, lambuzada de prazer. Desidratada, líquida, me viro e se livra dos tecidos que restringem seus movimentos. Neste momento sinto-me plena com vc dentro de mim. Não conseguimos conter nossa euforia e damos início àquela dança sincronizada onde não identificamos mais os limites do nosso corpo. Somos um só novamente. Recordamos todo aquele momento de plenitude em que éramos poderosos e nada nos faltava a ponto de desafiarmos os deuses. Assim fomos castigados e separados ao meio por contingências fortíssimas.

Sem palavras.
Sem nexo.
Sem sexo.

E a cada tentativa de superação, a lembrança da plenitude vem como uma avalanche, sufocando qualquer grito guardado no peito por tanto tempo, anos-luz. Limito-me a sentir somente a presença de uma lágrima no canto dos olhos.

Para prosseguir, agarro-me na certeza de que a dor faz parte do processo de cura..

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Sensação de morte

Hoje vc vai me  c o m e r! Literalmente! Saborear meu tempero, a textura, consistência. Estou toda gostosa para vc: cabelos longos úmidos e desfiados, o pescoço com um aroma delicado de verbena com a pele lisinha e arrepiada, seios bem torneados com o mamilo durinho... a textura macia da minha cintura. Enquanto percorre meu corpo com seus lábios, chupando cada área possível (e impossível!), vou aquecendo e enchendo-me de sabores. Quanto mais próximo da fonte, mais ofegante fico. Os sussuros e gemidos são inevitáveis. Percebe a intensidade da excitação e acaricia meus outros lábios com seus dedos habilidosos. Espalha toda minha umidade por toda área, cheia de nuances e enfia na minha gruta de paredes acolchoadas. No 1/3 anterior, encontra a elevação rugosa, que me faz tremer. Enquanto brinca com sua boca no clitoris - já nem consigo mais identificar o que está fazendo - prossegue com os movimentos dedilhados, alternando com o fuuundo que parece infinito. Seguro teus cabelos com delicadeza para sintonizar com a dança dos teus membros. Surda de tesão, aperto-te com minhas contrações...

Totalmente entregue para seu deleite, vira-me de quatro e me penetra devagarzinho, saboreando a maciez e o calor de cada milímetro alcançado. Bate fundo, bem fundo, e sussurro teu nome. Puxa meus cabelos e beija meu pescoço... o lóbulo da orelha... sussurra obscenidades no meu ouvido... e me prensa ao teu corpo. Sinto-te batendo no meu útero.

Em completa sintonia do desejo, do afeto e da devassidão, o mundo suga nossos sentidos em uníssono.
Os corpos, entrelaçados, abandonados ao tempo e espaço.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Duplicidade

Passeio pelas ruas e uma vitrine chama minha atenção: tecidos delicados, cuidadosamente arrematados com fitas  ... rendas... que desvelam em sua ausência, a presença do contorno do corpo. Embriagada com as imagens, entro na loja e detecto o que salta aos olhos. Entro no provador e me livro das roupas. Visto o espartilho e começo a me divertir com os ganchinhos... um a um, modelo cada vez mais minha cintura, enquanto meus seios empinam e quase pulam para fora da lingerie. A calcinha, minúscula, umedece. Alcanço as meias 7/8, delicadas, com um cuidado para não desfiá-las. Forro a ponta dos pés.. deslizo pelo tornozelo... a panturrilha... e aperta minhas coxas. Atrapalho-me com o arremate das ligas e sinto-me escorrer...

Miro-me no espelho

O olhar percorre todo o corpo refletido. Salto agulha, a trama do nylon que sobe pelas pernas, continua com as fitinhas que se prendem no espartilho... as rendas agora úmidas... a cintura delineada e a curva dos seios empinados. O aperto me conforta pq anuncia a tua presença, como se tivesse me envolvido com tua rede fina e transparente, e a mantivesse sempre sob tensão. Enfeitiçada como estou, enxergo teus fios no meu reflexo... persigo-os... e encontro teu olhar de fogo. Vejo me puxar com força, e sinto o aperto do espartilho na minha cintura. Assim, sinto teu corpo encostar nas minhas costas... o calor do seu volume se esfregando na calcinha minúscula, enquanto aperta meus seios e alcança os mamilos. Solto meu corpo nos teus braços que me seguram enquanto me coloca de quatro. No espelho vejo-te nu e encharco a calcinha. Teu semblante de desejo procura a miragem do meu corpo enquanto pulsa... latejante... enorme.

Faço das minhas mãos o teu corpo.

Afasta a calcinha que agora te atrapalha e me penetra bem fundo. Grito, suave, de tesão. Vejo nossos movimentos... prossigo nos meus. Os gemidos, sussurros, ecofônicos, pairam e se espalham pela ionosfera. No canto desta dança, as contrações misturam a duplicidade de imagens, sensações, sentimentos, liberdade e aprisionamento que emergem com a tua ausência/presença insistente.

domingo, 26 de setembro de 2010

Matéria sem forma


A luz é ensurdecedora e o som cega. Um espaço eletrônico atópico e atemporal, com zilhões de corpos conectados, matéria sem face nem forma. O rítmo dos corpos, em uníssono, é imposto pela batida. As diferenças não exalam. O calor do corpo similar ao nosso. Mal sabemos a quem pertence. E nem interessa.

Por trás, agarram minha cintura. Ainda percebo a leveza e a delicadeza das mãos, e me deixo levar pela batida repetida. Encosto no corpo e este me toca. Não cabe saber quem é. E nem interessa. Prensa meu quadril contra o dele e me esfrego. Subitamente me vira e alcança meus lábios. O beijo, corpo, avesso do virtual. As mãos exploram a cintura, alcançam a pele que arrepia, apalpa os seios e os mamilos, que empinam. Cruzo minhas pernas ao redor daquele corpo, que me sustenta e me prensa. Por debaixo da saia, desloca minha calcinha e me preenche, a falange atinge minha garganta! A batida eletrônica comanda meus movimentos e a freqüência respiratória e cardíaca. Beijo furioso, lascivo, para que arranque toda a moral imposta, aquela que nos faz obedecer em troca de uma pseudosegurança social. Quero mais! Alcanço mais. As contrações se iniciam, esmagando as falanges com força, para desconstruir o que foi imposto como certo ou errado.

Um sorriso educado, gracioso, quase cúmplice, anônimo.

Viro-me e retomo o movimento do corpo na batida eletrônica.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Vazio


Alguma coisa não vai bem. Uma tristeza escondida que insiste em me perturbar. Caminho sem rumo, sem apoio, já não sei mais o que é certo ou errado, o que pode ou não se pode fazer. Não há luz ou sombra e nem consigo mais levar minha luz a.. nada. Olho para o céu e ele me traz a chuva. Um frio...

Teu cheiro me resgata. Fecho meus olhos e posso te sentir. Um abraço largo, quente. Aperta o meu corpo contra o teu e morde meu pescoço. Segura na minha crista ilíaca, me prende, como se nunca mais me deixasse escapar. Pede meus lábios e te ofereço. Beija-me com paixão, cheio de saudades, aquela que fica escondida, abafada para não dar escândalo. O movimento da tua língua, suave, molhado e aconchegante me arrepia, eriça meus mamilos, desce pela coluna lombar e irradia para o baixo ventre. Encharcada, enlaço minha perna na sua cintura e me esfrego em vc. Quero mais! A taquicardia e a respiração forte comandam o rítmo dos nossos movimentos, cada vez mais vigorosos, sôfregos... Levanta minha blusa e beija meu corpo. A maciez dos seus lábios nos meus mamilos leva ao escape da minha alma. Resgato-a, e ela me faz arranhar suas costas com fúria, pelo longo tempo que se manteve abafada. Livra-se dos tecidos e penetra em mim com força. Fundo, bem fundo. Prensa-me contra a parede e puxa minhas pernas que montam em vc. O desejo comanda o rítmo cada vez mais forte. Seguro-me em vc como se fosse o único pilar restante a me apoiar. Não quero mais me perder. Preenchendo-me, completando-me, transborda toda a sua essência por todos os meus receptores aferentes que se beneficiam dos meus espasmos para absorver ainda mais.

Beijo-te com paixão e ternura, grata por me resgatar do frio
    sem rumo,
    opaco
    mudo

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Reencontro


Ainda estou no computador. Apresso-me em desligá-lo. Como é bom saber que quem esquenta minha cama é você... Aproximo-me devagarinho - será que está dormindo? - e me enfio sob o futon (edredom). Te abraço apertado e sua boca procura a minha. Acaricio seu peito, desço para o abdomen e alcanço sua vara sempre alerta. Carícias leves com as unhas sobre o tecido que o envolve, até que a cabeça lisa e vermelha aflora. Meus lábios não resistem, a aproximação é eletromagnética e incontrolável. Liberto e abocanho seu pau. Minhas mãos massageiam o corpo, aproveito a umidade local e deslizo minhas mãos por ele... Minha língua e orofaringe se preocupam com a cabeça, mas despertam para o saco, enrijecido, a pele rugosa e deliciosa. Lambidas de sorvete até chegar na base, devidamente massageada com a pontinha da minha língua. Sinto seu volume cada vez maior e a tensão-tesão pedindo para explodir. Não paro. Não consigo parar. E sinto suas contrações e gemidos como a harmonia para o rítmo melódico do fluxo da sua seiva. Não me satisfaço. Não se satisfaz. Ainda enrijecido, penetra na minha caverna macia, quente e úmida. Eu te aperto, como se te sugasse com meu útero e anexos. Sinto novamente se alargar dentro de mim. Continua com o vai e vem, cada vez mais vigoroso e desta vez você sente minhas contrações: fortes... pausa e pequenos movimentos... fúria e novas contrações... e assim vai naquele rítmo inacreditável. Não se satisfaz. Não me satisfaço. Muito gel, aumentamos a lubrificação e sinto a cabeça, pétrea e arredondada, deslizando no meu esfíncter apertado. Quer judiar de mim e faz movimentos curtinhos. Não aguento de tesão e movimento meus quadris com mais vigor até sentir seu saco e seu púbis bater em mim. Sinto novamente vc se alargar dentro de mim, gatilho para minhas contrações potenciadas pelas suas. Suados, melados, abraçados, desfrutamos de todos os segundos para compensar toda a ausência...

Como pode a espera não valer a pena? Estou louca de tesão. Sou louca de tesão por você.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Zuuummm




Desperto de repente, procuro o despertador e lembro que hoje é "Day-off". Olho para o lado e vc está dormindo. Deito minha cabeça no seu peito e sinto vc me enlaçar. Percebo seu rítmo cardíaco se aproximando do meu... Acaricio seu peito, o rítmo acelera assim como a frequencia respiratória. Imediatamente sinto aquele calor úmido, tão conhecido nosso, e levo minha mão no lugar certo - em franca movimentação! Entro por debaixo dos lençois, no meio das suas pernas, meus lábios úmidos brincam com aquela pele deliciosa: puxa para cá, empurra para lá... e minha língua alcança uma superfície lisinha, gostosa de acariciar em movimentos circulares... horizontais... verticais... Minhas mãos ficam com a base cilíndrica cada vez mais avantajada. Abandono por um segundo a parte superior porque outra região importante me chama: textura rugosa, faz cócegas na língua e provoca suspiros!


Neste momento sinto-o latejante. Não consigo mais suportar o ardor úmido e ávido por você. Nossos semelhantes querem fusão: minha boca procura a sua, a batedeira do meu peito na cadência do seu, meus dedos entrelaçados nos seus - entra em mim com sublime fúria e me sinto completa. Ficamos naquele jogo sem fim, onde vc tenta tirar e eu te sugo, e vc entra e eu tento te expulsar. E assim sinto-me rapidamente no "cosmos". E dele não consigo sair, até que o corpo dá o seu limite.


Olho para vc, sinto seu cheiro (essa química...) e quero mais. É a pura expressão do desejo e da entrega. A entrega que só se manifesta para quem se deseja furiosamente, incontrolavelmente, quem desperta os instintos mais selvagens e primitivos, de caça e caçador, da barbárie sem limites. E que aqui é permitido. E sublime. Sinto-nos latejando aos espasmos para doar e receber, em salvas - uma intimidade sem limites.


Mal sinto minhas pernas. Não sinto o meu corpo. Um zumbido no ouvido que me leva longe, longe... Vejo nossos corpos entrelaçados, de limites difusos. E a alma, cada vez mais leve, paira no cosmos...

Caixa de Pandora

"Fiquei muito contente que se lembrou de mim. Passa-se o tempo e continuamos achando que somos menos importante para os outros do que realmente somos.

Acabei de me mudar e encontrei várias agendas e diários que escrevemos qdo ainda temos tempo para refletir, alívio da necessidade para acalmar a ansiedade por estar sempre em busca de alguma coisa. Quando encontramos uma pessoa para dividir a vida, parte da ansiedade se vai. Quando começamos a encontrar uma certa satisfação e reconhecimento profissional, outra fatia da ansiedade se vai. Quando temos nossos filhos, mais uma fatia se vai. Não nos damos por satisfeitos. Aí começamos a sentir saudades de sentir uma ansiedade e esse frio no estômago. Novos desafios? Sabe que não? Gosto do que me tornei. Quero mais é aproveitar mais. Viajar, passear com minha família, ir ao MacDonald's com as crianças, às livrarias, ao cinema, trazê-las para casa e encontrar todos na hora do jantar...

Paralelamente dá uma certa curiosidade para rever quem foi importante ou, quem gerou certa ansiedade nessa fase turbulenta de descobertas. Acho que rola uma vaidade, um egocentrismo para nos mostrar como nos tornamos. Vontade de conversar, de mostrar como ainda estamos bem."


E foi assim que tudo começou. Eu sempre fui obediente às regras que já nem sabia mais que eram regras. Não havia conflito. Plantava, colhia, plantava, colhia, bem protegida das tempestades e furacões por ter uma boa família de valores corretos, infância feliz, adolescência tranquila, bom desempenho escolar e produtivo. Casei-me com meu primeiro namorado. Uma festa linda sem bolo, com um vestido de noiva que não poderia se parecer noiva, música do filme da Disney, meu pai não entrou comigo "ué, com quem vc vai casar? Então é com ele q vc tem que entrar".

Seguíamos as receitas.

Mas, por vezes, escorregávamos entre os ingredientes...