quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Primavera

- Portanto, relativamente à alma, reflete assim: quando ela se fixa num objeto iluminado pela verdade e pelo Ser, compreende-o, conhece-o e parece inteligente; porém, quando se fixa num objeto ao qual se misturam as trevas, o que nasce e morre, só sabe ter opiniões, vê mal, alterando o seu parecer de alto a baixo, e parece já não ter inteligência. 


- Parece, realmente. 

- Fica sabendo que o que transmite a verdade aos objetos cognoscíveis e dá ao sujeito que conhece esse poder é a Idéia do Bem (...)" 

A República - Platão 508d


Sentei naquela janela... e vi o frio.
O estacionamento com poucos carros e outras bicicletas. A luz alaranjada que não refletia nenhum movimento. Os prédios baixinhos... sem nenhuma luzinha acesa.

Nenhuma luz.

Por um momento, qualquer lugar poderia ser melhor do que aquele. Lá eu me sentia sufocada. Presa. Não conseguia me mexer. Como precisava respirar...

Meu corpo, sempre valente, dalí me tirou. Mas minha alma nem ousava sair...

Observava o sorriso puro de dentes muito brancos.
Acolhia os braços tatuados ao meu redor
Atenta aos carinhos cuidadosos
Os beijos que tentavam me sugar...

Impassível.

Penetrava e cutucava meu espírito. O corpo, sempre valente, reagia e se excitava. Rolava. As contrações chegavam.

Só por mim. 

As palavras encantavam. O sorriso-monalisa emergia... mas a alma permanecia intacta.



E aí vc chegou!
De algum lugar do velho leste.
De algum lugar perdido no tempo, em que o brilhantismo e o jogo sinuoso e voraz das palavras, despertou o encanto pelo pensamento
fundo...
justo...
arisco...

Teu sol aqueceu meus giros cerebrais, acendeu minha alma, e irradiou pelo meu corpo.
Penugem eriçada
Encharcada nas poças, incendiou meu prazer.

Grandioso, latejante, deslizou em mim... no fundo do meu ser que queria cada vez mais. Teu corpo, abandonado, seguiu o rítmo da tua luz e calor.

De algum modo, por algum motivo (ou não), uma questão de libertadora sobrevivência, percebi o escape do nosso Ser!

Na velocidade da luz

Grudadinhos, sem limites, misturados, corremos pelo mundo, do pó ao pó!

Liberta para deixar o vício das trevas, enfim voltei a sentir o gosto da Idéia do Bem.

Verdade.

Só.