domingo, 5 de dezembro de 2010
Abismo
Foi uma espera imensurável. Meses. Anos. Quiçá vidas. Talvez como o cometa Halley. Mas eu sempre soube que já era tua.
Abriu a porta da tua casa com aquele sorriso largo - sabia que sorri com os olhos? Um abraço forte como se não quisesse mais nos perder.
Eu não sei o que aconteceu, onde eu estava - acho que passeando pelas curvas da tua alma. Acordei com o barulho dos livros caindo no chão, livrando o espaço sobre a mesa do teu quarto. Tirou seus óculos e me levantou delicadamente sobre ela. Nos seus olhos pude ver aquele abismo, aquela sensação de gravidade zero em que sobrevôo toda a ternura, a doçura, a violência desse tesão que nos consome qdo estamos distantes. Sinto teu gosto na língua macia que aconchega a minha. Pega na minha mão e a conduz à expressão no teu corpo - latejando!
Ahhhh, isso me leva aos céus!
Tira minha calcinha e contempla cada milímetro desvelado. Posso respirar o desejo que exala por todos os teus poros, o que libera aquela adrenalina que me faz tremer...
Abre minhas coxas e se aproxima do calor úmido que te puxa. Devagarinho. Entra em mim e alcança tudo o que guardei pra vc: minhas incertezas, as sombras, a doçura, a loucura, o brilho que chega a ofuscar quando te encontra, a sensação de estar enfim em casa.
Quero bem fundo. Que alcance minha essência. Envolvo minhas pernas na tua cintura e te aperto para lá chegar. Repito. Falta. Quero mais. Aperto. Cada vez mais. Morde meu pescoço e acelera minha frequência respiratória.
Quero tanto que o ar falta.
Mais!
Aquele crescente, aquela escadaria, até que, juntos, seus olhos nos meus, de novo mergulhamos naquele abismo de gravidade zero, flutuando de mãos dadas por toda a ternura, a doçura, a brisa e a violência dessa saudade que arrebata.