sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Lola

Cansado, de nada, resolveu se sentar naquele banco da praça, frente ao banco das contas. Percebeu que nunca tinha visto o(s) banco(s) daquele ângulo. Para ele, o mundo era bidimensional, plano.

- Tio

Uma menina uniformizada, horário de saída de escola mesmo. Cabelos longos, a franja presa do lado direito, olhar com aquele brilho de ansiedade que há muito não encontrava. Poxa, o tempo passa rápido! Filha de algum amigo, cresceu tto que já nem reconheço? Mas já está uma mocinha.

- Oi querida. Quanto tempo! Como estão seus pais?

Melhor ser genérico. Não desconserta nem conserta torto.

- Quero te chupar.

Não estava entendendo... Praça deserta, cadê os pais dessa garota!

- Se não me levar para algum lugar sossegado, deito no teu colo e começo a te chupar em público! Se não deixar, eu grito!

- Menina, vc tá louca? Cadê seus pais?

Que dia esquisito. Que lugar esquisito. A paisagem estava toda fora de lugar. As pessoas fora do personagem.
Diante da morosidade de ações daquele senhor enfadonho, a garota se adianta a se deitar no colo dele. Surpreso, tenta planejar alguma reação, mas já não estava mais habituado a deliberar ações voluntárias.

Mas sentiu que o corpo reagiu! Poxa, estava vivo!

A garota percebeu o aumento do pseudo-travesseiro, colocou a mão entre o pau dele e a face esquerda, e começou a acariciá-lo. Ajeitou a posição anatômica, e percebeu a cabeça explodindo, escapando dos tecidos - pelo menos os tecidos tinham cheirinho de amaciante. Adorava passar os dedos pela glande lisinha. Queria ver a cor! Bege, rosinha, negra, tanto faz. Geralmente é brilhante, aquele mesmo brilho de excitação.

Ele resolveu abrir o jornal.

Ela abocanhou e segurou aquele pau com desenvoltura

- Ahhhh - e ele engoliu o gemido, que há muito não aparecia. A sensação de perigo, o medo de novo correndo pelas veias, fez com que o contraste e o brilho do mundo se tornassem mais aguçados. Que porra de oftalmologista era aquele que nunca encontrou o grau certo dos óculos? O mundo tinha outra cara!

Enquanto masturbava aquele pau delicioso, lambia-lhe as bolas, chupava cada uma e apreendia entre os lábios com delicadeza. Alternava para a glande, a língua naquela pele lisinha, e escorregava os lábios para a base, enquanto a sentia tocar a sua garganta. Adorava aquela sensação de quase sufocamento. O pau inteiro na sua boca e a língua nos bagosorvete. O volume cada vez maior. A excitação fazia com que aumentasse a frequência dos movimentos, até que sentiu aquele líquido grosso e doce de gosto verde escorrer pela garganta.

Adorava aquele sabor de vida!

Ela colocou a casa em ordem, fez que dormia no colo do tio.

Ele não sustentava nem o peso do jornal. Tudo flutuava...

Ela se levantou, deu um beijinho no rosto dele, pegou a mochila e deixou o quadro.

Ele...

Ele ainda procura aquele ângulo. Todos os dias, na mesma hora, senta naquele banco da praça de frente ao banco das contas.
Nunca se esquece do jornal - "Just in case..."

Espera a menina.

Daquele...
ângulo...