"Fiquei muito contente que se lembrou de mim. Passa-se o tempo e continuamos achando que somos menos importante para os outros do que realmente somos.
Acabei de me mudar e encontrei várias agendas e diários que escrevemos qdo ainda temos tempo para refletir, alívio da necessidade para acalmar a ansiedade por estar sempre em busca de alguma coisa. Quando encontramos uma pessoa para dividir a vida, parte da ansiedade se vai. Quando começamos a encontrar uma certa satisfação e reconhecimento profissional, outra fatia da ansiedade se vai. Quando temos nossos filhos, mais uma fatia se vai. Não nos damos por satisfeitos. Aí começamos a sentir saudades de sentir uma ansiedade e esse frio no estômago. Novos desafios? Sabe que não? Gosto do que me tornei. Quero mais é aproveitar mais. Viajar, passear com minha família, ir ao MacDonald's com as crianças, às livrarias, ao cinema, trazê-las para casa e encontrar todos na hora do jantar...
Paralelamente dá uma certa curiosidade para rever quem foi importante ou, quem gerou certa ansiedade nessa fase turbulenta de descobertas. Acho que rola uma vaidade, um egocentrismo para nos mostrar como nos tornamos. Vontade de conversar, de mostrar como ainda estamos bem."
E foi assim que tudo começou. Eu sempre fui obediente às regras que já nem sabia mais que eram regras. Não havia conflito. Plantava, colhia, plantava, colhia, bem protegida das tempestades e furacões por ter uma boa família de valores corretos, infância feliz, adolescência tranquila, bom desempenho escolar e produtivo. Casei-me com meu primeiro namorado. Uma festa linda sem bolo, com um vestido de noiva que não poderia se parecer noiva, música do filme da Disney, meu pai não entrou comigo "ué, com quem vc vai casar? Então é com ele q vc tem que entrar".
Seguíamos as receitas.
Mas, por vezes, escorregávamos entre os ingredientes...